Via Judão.com.br

É difícil uma seqüência de um filme superar o seu antecessor. A expectativa sobre ele é muito grande, e vários fatores, como o sucesso do primeiro, pesam sobre a segunda parte. Esse ano já tivemos um grande exemplo de uma seqüência que superou o primeiro filme de todas as formas possíveis. Por muito pouco Hellboy 2: O Exército Dourado não conseguiu fazer o mesmo.

O filme como um todo é bem legal. Eu dei risada com algumas cenas onde o riso era algo que eles almejavam, teve cenas de ação que eu falei “BOA!” e ver a Selma Blair de regatinha e shortinho foi muito legal e, no quesito “escapismo”, o filme conseguiu superar o primeiro. Guillermo Del Toro mostrou com Labirinto do Fauno que consegue mexer bem com efeitos especiais e criaturas míticas, e nesse filme ele reafirma isso. O filme consegue prender mais você dentro daquele mundo fantástico do que o primeiro filme, mas esse por sua vez, tem uma história que começa épica, tem um miolo meio truncado, e um desfecho grandioso. Hellboy 2: O Exército Dourado começa prometendo algo grande, continua prometendo isso durante o seu decorrer, mas não entrega tudo isso no seu final.

A cena que mais marca isso é a do Anjo da Morte. Quando vocês virem, vão saber. Naquele momento, eu pensei “AGORA JÁ ERA!“. Então o filme acaba e caiu a ficha que o Del Toro vai dirigir O Hobbit e pode voltar a mexer em Hellboy só lá por 2017 — se voltar. E até lá muita coisa pode ter acontecido.

O filme está longe de ser ruim, mas a vontade de sempre ser épico e preparar uma história grandiosa acaba prejudicando o filme. Veja por exemplo o personagem Johann Krauss, apresentado nesse filme. Ele surge como um agente alemão muito requisitado, seguidor de regras e mandão. O cara parece um Mysterio fr0m h3ll, é basicamente uma névoa, e é dublado pelo Seth MacFarlane — fãs de Uma Família da Pesada e American Dad poderão reconhecer a voz dele às vezes, pois ele se mostrou um bom dublador, não somente um fanfarrão que faz todas as vozes parecerem com a voz do Stewie ou do Peter Griffin. Durante o filme ele nunca fala como ficou daquele jeito, e quando parece que finalmente conheceremos um pouco mais do personagem, fica por isso mesmo.

Os outros personagens, já apresentados no primeiro filme, seguem no mesmo ritmo da primeira vez que apareceram. O Abe Sapien ainda continua um ser culto que luta assustadoramente parecido com o Voldo do Soul Calibur. A Liz, agora namorada do Hellboy, vive um problema no seu relacionamento com o chifrudo, e algo realmente importante atormenta ela, enquanto o bom e velho Hellboy continua o mesmo fanfarrão, só que agora ele quer sair pro mundo.

Se a história fosse um pouco mais simples, esses elementos poderiam funcionar perfeitamente, pois o ambiente permitiria uma evolução bacana. Mas como tudo é grandioso, as coisas meio que perdem a importância. Por exemplo, o príncipe Nuada, vilão da parada. O cara chega a dar medo no auge de sua sagacidade albina ao invadir o “palácio” de seu pai, na primeira parte do filme. Depois ele meio que dá uma de badass, e vai pro ultimate fight com o Hellboy. Lá no final que ele mais ou menos mostra porque estava fazendo tudo aquilo. Desde o início do filme ele só parecia um revoltadinho que queria sangue, mas tem mais por trás das ações dele.

Chegando próximo do final do filme, eu percebi que o Guillermo Del Toro não perdeu a mão, mas na verdade filmou algumas coisas pensando em um terceiro filme. Quatro cenas me deixaram quase certo que era isso mesmo que ele queria fazer. Preparar terreno pro terceiro filme.

Resumindo toda essa história, Judão RECOMENDA o filme, mas não com a força que queria. Foi por muito pouco. Não sei se o meu humor, que até estava legal quando assisti, alterou o meu jeito de ver o filme, mas me parece que faltou algo, e o que faltou pode demorar tempo demais pra ser entregue.